"Podemos entender os pensamentos de Deus após ele os criá-los"
— Johannes Kepler
For over a thousand years, the sciences of classical antiquity had been silenced. But by the late Middle
As ciências da antiguidade clássica tinham sido silenciadas por mais de mil anos, mas no final da Idade Média alguns ecos débeis destas vozes, preservados pelos estudiosos árabes, começaram a se insinuar no currículo educacional europeu.
Johannes Kepler nasceu na Alemanha em 1571 d.C e foi enviado a um seminário protestante na cidade provincial de Maulbronn ainda menino para vir a ser um clérigo. Com o seu amadurecimento, Deus tornou-se para ele mais do que uma fúria divina, objeto de súplicas. O Deus de Kepler era o poder criador do universo. A curiosidade do menino conquistou o medo. Desejou aprender a origem e o fim do mundo; ousou contemplar a mente de Deus.
Em Maulbronn, Kepler ouviu suas reverberações, estudando, além de teologia, grego e latim, música e matemática. Na geometria de Euclides pensou ter vislumbrado uma imagem da perfeição e glória de Deus. Mais tarde, escreveu: "A Geometria existiu antes da Criação. É co-eterna com a mente de Deus... A Geometria forneceu a Deus um modelo para a Criação... A Geometria é o próprio Deus".
Kepler pensou: "Se o mundo tinha sido criado por Deus, não deveria ser examinado com muito cuidado? Não era toda a criação uma expressão da harmonia na mente de Deus?". Com essas perguntas, o livro da natureza começou a ser lido novamente, não só por Kepler, mas também por muitos outros cientistas. Isso representou o renascimento científico na Europa, após um hiato de milhares de anos.
Naquela época, acreditava-se que que existiam 6 planetas, Kepler extremamente religioso, dizia que eles orbitavam em distâncias iguais as 5 formas geométricas perfeitas de Pitágoras. Pois essa era, em sua visão, a forma mais bela de representar a criação divina.
Thycho Brahe, astrônomo observador da época, com o catálogo mais completo do movimento celeste, era o responsável pelas observações utilizadas por Kepler em seus cálculos. A união do melhor astrônomo da época, com o exímio teórico matemático que Kepler era, foi o início de uma parceria que culminou em modelos matemáticos que utilizamos até hoje para cálculos orbitais.
Inicialmente, Kepler não aceitava os dados astronômicos da época, pois os mesmos não se encaixavam com seus modelos das formas perfeitas, o seu modelo desejado. Mesmo após a descoberta das luas galileanas, mostrando que outros mundos orbitam Júpiter, tirando ainda mais o protagonismo da Terra. Observação essa, feita por Galileu, que firmou ainda mais a incompatibilidade dos modelos matemáticos de Kepler com os dados observacionais. Kepler no entanto, era relutante em deixar de lado o cosmos perfeito, a teoria perfeita da criação divina. Em certo ponto da sua vida, Kepler se sentiu lisonjeado em ser o ser humano escolhido para entender a forma de pensar divina.
Com o passar do tempo, Kepler começou a observar imperfeições na terra, imperfeições na sociedade, e consigo mesmo pensou: "Se os planetas são imperfeitos, por que não também suas órbitas?". Essa fagulha nos pensamentos de Kepler, fez com que a humanidade mudasse para sempre.
Tentou várias curvas-ovais, calculou, cometeu alguns erros aritméticos (que o levou, a princípio, a rejeitar a resposta certa) e meses mais tarde, em desespero, tentou a fórmula de uma elipse, codificada pela primeira vez na biblioteca de Alexandria por Apolônio de Perga. Descobriu que se ajustava maravilhosamente às observações de Tycho: "A verdade da natureza, que rejeitei e desviei, retornou às escondidas pela porta dos fundos, distinguindo-se para ser aceita... Ah, que bobo tenho sido!"
Essa foi a primeira explicação não-mística do movimento nos céus, e colocou a Terra como uma província do universo. "Astronomia", disse, "é parte da física". Kepler é um marco na história: o último astrólogo científico foi o primeiro astrofísico.
O que mais impressiona na história de Kepler, é a sua coragem científica, preferiu a dura verdade às suas meigas e tão desejadas ilusões. Colhemos frutos diariamente devido a esse ato, quando enviamos naves e sondas espaciais aos planetas, quando observamos estrelas duplas, quando examinamos o movimento de galáxias distantes, descobrimos que no universo as leis de Kepler são obedecidas.
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